Na Pesquisa Agrícola

Postagens sobre a pesquisa e o cultivo da mamoneira no semiárido.
Obrigado pela visita, boa leitura e volte sempre.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Melhoramento Genético

Olá amigos, temos comentado que nosso objetivo maior com as pesquisas é o melhoramento genético da cultura da mamoneira, ou seja, busca por novas variedades para o semiárido. No geral, o melhoramento genético da mamoneira objetiva o aumento da produtividade. Além disso, procuramos desenvolver variedades adaptadas as condições do Nordeste brasileiro.
A precocidade é outra característica que se busca porque nosso período chuvoso é curto e assim procuramos desenvolver novas cultivares em que o ciclo se encaixe dentro do curto período de precipitação pluvial.  Também se busca reduzir o porte da planta para facilitar a colheita manual e/ou adaptar a algumas colheitadeira existentes.
O grau de deiscência do fruto (abertura do fruto) que é comum na maioria das cultivares é outra característica que estamos trabalhando para eliminar. As novas cultivares já são indeiscentes (na estralam). A vantagem é a diminuição com o custo com a mão-de-obra, enquanto na cultivares semi-indeiscente você precisa está colhendo semanalmente, as cultivares indeiscentes você espera que todos os cachos fiquem secos para realizar a colheita. Além disso, a qualidade do óleo é melhor porque não se colhe frutos imaturos como acontece com os frutos semi-indeiscentes. Outras características importante e desejável é a obtenção de cultivares com maior teor de óleo (acima de 50%) e resitentes a pragas e doenças.
Vislumbramos uma planta ideal que apresentem elevada produtividade, precoce, porte baixo, alto teor de óleo na semente, tolerante a seca e resistente a pragas e doenças, etc. Mas isso é um sonho. E este sonho é construido passo a passo e quem sabe um dia o homem consiga extrair o potencial teórico de produtividade de uma cultura.

Cultivar Indeiscente - Frutos não "estralam"
Cultivar semi-indeiscente - Frutos se abrem


sexta-feira, 20 de maio de 2011

Qualidade de Sementes

Olá amigos! Hoje vou abordar um assunto que vem sendo bastante demandado: sementes. O uso de sementes de qualidade e de uma cultivar adaptada à região é uma das tecnologias mais simples, barata e que possibilita a obtenção de uma produtividade maior. A maior região produtora de mamona do Brasil (Irecê-BA) está com suas terras infestadas por algumas doenças (macrophomina, fusário, etc) resultado de anos de cultivo do feijão, uso dos mesmos implementos agrícolas em várias propriedades e uso de sementes adquiridas no mercado local e infestadas. Tudo isso facilita a dissiminação das doenças. Porém, essas doenças não são ainda um fator limitante para a produção de mamona nessa região. Contudo, a infestação continua aumentando e já estamos recebendo relatos de agricultores em que suas roças já estão sendo prejudicadas com algumas dessas doenças, principalmente, macrophomina e fusariose.
A semente deve ser adquirida de uma instituição ou de um produtor idôneo registrado no Ministério da Agricultura. Mas por quê? Meu vizinho é uma pessoa séria, não posso comprar dele? Ele me vende até mais barato. Bem amigo; essa dúvida é de muitos agricultores. Então vamos lá. Primeiro, existe uma diferença grande entre o que é semente e o que é grão. Segundo, quando você compra “semente” de seu vizinho, ela vem misturada, com doenças, você não saber o poder germinativo e a pureza varietal e também não se conhece a produção do material. São muitos os problemas. Terceiro, quando você adquire semente de uma fonte idônea, é conhecida a qualidade e fiscalizada pelo MAPA. Existe uma lei específica para a produção de sementes com os critérios estabelecidos para as diversas culturas. Os custos para produzir sementes são maiores e por isso o preço é maior. Já o seu vizinho está lhe vendendo grão como semente.
Aos agricultores em geral, recomendamos que adquira sementes de fontes confiáveis e que faça um tratamento químico nas sementes antes do plantio contra doenças. Uma fonte confiável que recomendamos para compra de sementes de mamona é Embrapa Algodão (83) 3182-4300. Uma semente de qualidade diminui o risco de insucesso da produção. Um ótimo final de semana!!!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Andamento das pesquisas

Caros amigos, vejo que tenho alguns leitores que ficam apenas visitando e lendo anonimamente. Gostaria de dizer que criei esse blog para levar informações sobre a pesquisa de mamona até vocês, para interagirmos, para trocarmos informações sobre o cultivo da mamoneira no semiárido. Assim, solicito que seja nosso seguidor, que faça comentários sobre as postagens e que participe com sua experiência dando sua contribuição sobre o cultivo sustentável da mamoneira no Nordeste brasileiro.
E a pesquisa como está? É verdade, esses dias têm sido corridos com reuniões, visitas técnicas, atendimentos ao público no escritório, visitas a povoados para selecionar áreas para implantação de Unidades Demonstrativas etc. Assim, os trabalhos das pesquisas ficaram com meus colegas de campo e estagiários. Porém, próxima semana irei fazer uma avaliação de todos os ensaios planta a planta. Vamos fazer seleção de plantas para avançar as gerações.
Nessa semana, os colegas estão realizando a coleta de dados, ou seja, fazendo as medições da variáveis. Não é um trabalho braçal, mas também não intelectual. Porém, é um trabalho onde o braçal se une ao intelectual. Braçal porque se tem que andar com um instrumento, por exemplo: uma régua, para fazer as medições: altura da planta, altura do primeiro racemo, tamanho dos racemos, etc. Intelectual porque é preciso bastante cuidado nessas tomadas de dados para não fazer anotações erradas e trocar as informações das parcelas. Então, essa tomada de dados é realizada com no mínimo duas pessoas, uma para ir anotando as informações e prestando atenção quando da mudança de parcela e outro apenas para conduzir o instrumento de medição e realizar a leitura.
É uma fase demorada, cansativa e repetitiva. Em cada parcela avaliamos cinco plantas. Então, todas as leituras referentes àquela parcela são realizadas nessas cinco plantas. Agora imagine um ensaio com 80 parcelas, temos então 400 plantas e em cada planta feita a leitura de 10 características. Isso é apenas um de nossos experimentos de um total de 20. Ria não, porque o negócio é sério. É pesquisa agrícola.



quarta-feira, 18 de maio de 2011

Unidade Demonstrativa

Olá amigos, hoje quero comentar um pouco sobre transferência de tecnologia. Transferir tecnologia é levar conhecimento para um determinado público. Na área agrícola é apresentar uma cultivar nova, uma técnica de manejo inovador, um método de combate a praga, etc. Então, para atingir esse objetivo utilizamos diversos instrumentos como: palestras, seminários, cursos, distribuição de folders e cartilhas, visitas técnicas, dias de campo, etc.
A Unidade Demonstrativa trata-se de uma pequena área para exposição de uma ou mais cultivares desenvolvidas e adaptadas para a região e voltada para o segmento do agronegócio da mamona (agricultores, estudantes, técnicos extensionistas e visitantes) possibilitando o contato direto com as recomendações técnicas do cultivo dessas variedades de mamona. Essa iniciativa tem o objetivo central de propiciar uma prática de como produzir e manejar as diferentes cultivares e fases do plantio, bem como o repasse das informações básicas e relevantes aos agricultores familiares, técnico da extensão rural e estudantes envolvidos no agronegócio da mamona, além de fazer a integração entre as instituições envolvidas nesse segmento.
Estamos planejando implantar uma Unidade Demonstrativa da variedade BRS Energia sob irrigação no município de São Gabriel-BA objetivando apresentar essa cultivar aos agricultores bem como as recomendações técnicas de cultivo dessa variedade. Durante as fases de desenvolvimento da cultura,  pretendemos capacitar agricultores e técnicos com a realização de dias-de-campo, palestras e cursos sobre o cultivo sustentável da mamoneira no semiárido.


terça-feira, 17 de maio de 2011

Mamona Irrigada - 2ª parte

Caros leitores, dando continuidade ao assunto da postagem anterior,  vamos falar um pouco mais de mamona irrigada. Para quem vive no semiárido é uma alternativa tendo em vista que as condições climáticas estão bem adversas para qualquer cultivo. O atual preço da mamona também chama atenção, na praça de Irecê está sendo comercializada a quase R$ 2,00 o quilograma. Salientamos que esse é um preço fora da realidade.
As publicações com informações de manejo de irrigação com a mamoneira no Nordeste são escassas. Os solos do Nordeste são bastantes variáveis, portanto, algumas informações de uma região não se aplica em outra.  Então, vou falar a minha visão e experiência de observador sobre esse assunto. O que tenho observado é que cada produtor adota um sistema diferente, com variedades e espaçamentos diferentes. Então não temos como comparar esses sistemas. Eu sempre me pergunto: É viável? Ou seja, gera lucros? A única resposta que vem a minha mente é que sim, senão esse agricultor já teria abandonado esse sistema.
No manejo da irrigação são imprescindíveis práticas adequadas para reduzir custos. Temos observado nos sistemas irrigados que a mamoneira se desenvolve bastante. Em um caso particular, a mamoneira cresceu, se desenvolveu e não produziu. No geral temos constatado um crescimento com  desenvolvimento e produção satisfatória. A mamoneira responde bem a água e aos adubos aplicados. Desse modo, se for aplicado adubo e água com abundância, a mamoneira cresce e se desenvolve "viçosamente" e prejudica a produção. Então, tanto a adubação como a quantidade de água aplicada devem ser bem controladas. Vale ressaltar que o excesso de umidade é prejudicial para a mamoneira em qualquer fase do ciclo. Salientamos que o espaçamento para a mamona irrigada é diferente para o cultivo em sequeiro, salvo algumas excessões.
Constatamos diversos espaçamentos em toda a microrregião de Irecê. O espaçamento é fundamental para tirar o máximo proveito do solo e da energia solar. Assim, espaçamentos largos ou estreitos comprometem a produtividade. Nossa experiência com BRS Energia em dois espaçamentos sob irrigação (1,0m x 1,0m; 2,0m x 1,0m) em uma unidade demonstrativa instalada no CETEP, constatamos que a produtividade foi prejudicada pelo motivos que falei acima, ou seja, no espaçamento 1x1 houve uma maior competição das plantas por nutrientes, água e luz, sendo que as plantas cresceram, se desenvolveram e não produziram o esperado. No espaçamento 2x1 verificamos que as plantas diminuiram o porte e emitiram mais cachos, porém, ficou uma faixa entre as fileiras que poderia ser aproveitada. Deduzimos, portanto, que a produtividade dessa cultivar poderia ter sido melhor se cultivado no espaçamento 1,50m x 1,00m sob irrigação, porém, é necessário maiores pesquisas para a mamoneira irrigada para determinar a densidade de plantio ideal de cada cultivar. Publicamos esse trabalho no IV Congresso Brasileiro de Mamona e está disponível na internet.





segunda-feira, 16 de maio de 2011

Mamona Irrigada

Caros amigos, ultimamente temos recebido visitas de pessoas envolvidas no agronegócio mamona a procurar de informações sobre o cultivo irrigado da mamoneira na microrregião de Irecê-BA. Então, hoje vamos postar algumas informações sobre a mamoneira irrigada. Após a implantação do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, a mamoneira passou a ter incentivos do Governo Federal. Assim, o preço da baga foi regularizado com a política do preço mínimo, dando segurança ao agricultor e garantindo renda mais justa ao plantadores de mamona.
Atualmente, o preço dessa oleaginosa está em alta no mercado e muitos agricultores estão fazendo uso da irrigação nessa cultura. As informações na literatura sobre o cultivo irrigado da mamoneira no semiário são escassas e localizadas em algumas regiões. Então, o que vou escrever aqui são informações baseadas nas observações realizadas e experiências adquiridas ao londo de nossa vida profissional trabalhando com a mamona. Nesse tempo temos visitado pequenos e grandes cultivos irrigados e com diversas variedades.
As cultivares desenvolvidas para o semiárido são para regime de sequeiro, porém, podem ser irrigadas. O custo de investimentos é alto, então, práticas adequadas de manejo são fundamentais para reduzir os custos. O manejo de água e adubação deve ser bem planejados, porque a mamoneira responde bem a esses dois itens e pode prejudicar a produção quando utilizados inadequadamente.
É preciso maiores pesquisas para desenvolver um sistema de cultivo irrigado para a mamoneira. Temos observado sistemas de irrigação desde pivô central até microgotejamento e com espaçamento desde 1,0m x 1,0m até 8,0m x 3,0m. Esse é um assunto que gera muita discussão entre os agricultores (ver vídeo postado anteriormente) e nós da pesquisa não temos um sistema que possamos recomendar, mesmo porque o semiárido apresenta uma heterogeneidade de solo muito grande. Para não deixar esta postagem muito grande, vou encerrar por aqui e na próxima falarei sobre o cultivo irrigado na microrregião de Irecê-BA, responsável por aproximadamente 80% da produção nacional. 

Cultivo BRS Energia - Pivô Central

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Chuva ou Seca?


Caros colegas, infelizmente perdemos a postagem do dia 12.05.11, aconteceu um problema com o blogger e nosso arquivo desapareceu, aliás não só o meu mais o de muitos blogueiros. É uma pena, mas vou procurar relembrar o que escrevi e colocar nessa postagem.
Os nossos ensaios de pesquisas estão bastante prejudicados por ausência de chuvas na região. Isso todos já sabem. A última chuva na microrregião de Irecê-BA foi  dia 13.03.11. Apesar de a mamoneira apresentar resistência a seca, ser vivo nenhum sobrevive sem água. Mas apesar dessa seca nos prejudicar bastante, não tem nada perdido...Nem tudo está perdido.
Ontem recebemos dois pesquisadores renomados da Embrapa Algodão no melhoramento genético da mamoneira que são os responsáveis pelo desenvolvimento e lançamento das cultivares de mamona. Então foi um dia corrido, em que tivemos que passar em cada experimento para fazer as avaliações. É uma troca de experiência bem satisfatória, onde a teoria se encontra com a prática.
A seca que prejudica nossos experimentos também nos proporciona uma oportunidade. É verdade, verdadeira. Mas como pode? Vejam só. Essa é uma oportunidade de selecionarmos plantas mais tolerantes ao estresse hídrico. Claro que nosso objetivo anterior era avaliar principalmente a produção, mas com essa estiagem; vamos mudar o nosso objetivo e passar a focar na seleção de plantas resistentes a seca. Então queridas plantinhas, sejam fortes, porque somente as fortes sobreviverão e a recompensa será de sua descendência. É a lei da natureza, seleção natural...mas nos ensaios, a seleção será realizada por mim.