Na Pesquisa Agrícola

Postagens sobre a pesquisa e o cultivo da mamoneira no semiárido.
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sexta-feira, 10 de junho de 2011

Desbaste

Olá amigos, outro dia comentei sobre a capação, prática agrícola não mais necessária nas cultivares em uso atualmente. Hoje vamos falar sobre o desbaste de plantas. O desbaste consiste na eliminação do excesso de plantas nas covas objetivando deixar apenas uma planta por cova.
A não execução dessa prática poderá causa redução da produção. Mas como? Se existe maior número de plantas na área. É verdade, eu sempre faço uma comparação que nos ajuda a atender melhor o que acontece. Suponha que você seja uma pessoa que costuma almoçar todo dia em torno de 400g de comida. Pois bem, se você encontra um amigo que também costuma comer essa mesma quantidade diariamente e não existe comida extra e que vocês terão que dividir essas 400g para vocês dois todos os dias. O que vai acontecer? Ambos vão ficar com fome. Isso é o que acontece com as plantas. Quando elas são cultivadas em uma mesma cova ocorre uma competição bastante intensa por água, luz e nutrientes podendo causar perda na produtividade.
Essa prática de ser realizada entre 20-30 dias após o plantio ou quando as plântulas alcançarem uma altura de 10-12cm. A retirada deve ser feita com cuidado para evitar danificar a planta vizinha. Evitar arracá-las para cima, procurando sempre puxá-las lateralmente. O desbaste deve ser realizado preferencialmente com o solo úmido. Bom final de semana a todos.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Reunião Pólo Biodiesel

Caros leitores, hoje participamos da reunião do grupo de trabalho do Pólo Biodiesel do Brasil que acontece mensalmente em Irecê. Nessa reunião se discute os principais problemas e entraves da cadeia produtiva da mamona. Os problemas encontrados são encaminhados ao MDA para que se tome as providências cabíveis.
O objetivo da reunião de hoje foi elaborarmos um planejamento estratégico com cronogramas de atividades a serem realizadoas para o ano de 2011. Nessa reunião estavam presentes Secretarias de Agriculturas de alguns municípios, representantes de algumas cooperativas, sindicatos e os representantes das instituições da Petrobrás, Embrapa e EBDA.
 Ressaltamos que essa é uma reunião de grande importância para a microrregião de Irecê - BA onde os entraves referentes a cadeia produtiva da mamoneira relacionadas ao Programa Nacional do Biodiesel são debatidos e encaminhados para as instituições responsáveis para que tomem conhecimento e providências.
Para o fortalecimento do Grupo de Trabalho do Pólo Biodiesel de Irecê, seria bom a participação e o envolvimentos de mais representantes ligados ao segmento dessa oleaginosa nas discussões de forma a colaborar com o desenvolvimento dessa região.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Doenças na mamoneira


Olá leitores, abordaremos hoje em nossa postagem as doenças que atacam a mamoneira. A mamoneira como qualquer cultura é afetada por vários microrganismos que podem causar doença e reduzir a produção e consequentemente causar prejuízos econômicos.
Para que uma doença ocorra e cause prejuízos econômicos é preciso que as condições climáticas sejam favoráveis. As doenças que afetam a mamoneira são o morfo-cinzento, murcha de fusário, mancha foliar bacteriana, podridão do tronco ou macrophomina, prodridão dos ramos, mancha de cercóspora e mancha de alternária.
Na microrregião de Irecê - BA destacam-se a macrophomina, fusariose e o  morfo-cinzento como as principais. Destacamos que o morfo-cinzento não atinge todos os municípios dessa microrregião, ficando restrito aos locais próximos a chapada. Já a macrophomina e a fusariose está dissiminada em toda a região e poderá no futuro se transformar em um problema sério. Atualmente, temos relatos de áreas já prejudicadas com essas doenças, inclusive já recebemos agricultores preocupados com o aumento de infestação em suas áreas.
O controle químico dessas doenças é caro e na maioria dos casos não compensa. Então, ressaltamos a importância de outras táticas simples, mais baratas e acessíveis aos agricultores para evitar o aumento da intensidade do patógeno. Usar sementes de qualidade, sadias e resistentes aos fungos; tratar as sementes quimicamente antes de plantar; fazer rotação de culturas; eliminar os restos culturais;  evitar usar arado provenientes de áreas com maior infestação, etc. São práticas simples, baratas e acessíveis a todos os produtores.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Hora de colher

Olá amigos, dando continuidade ao assunto anterior, vamos começar nessa semana a realizar a colheita de alguns experimentos. Conforme podemos observar na fotografia ao lado, todo o racemo encontra-se seco e fechado, cultivar BRS Energia que é indeiscente. Esse é o ponto ideal de colheita. Com essa cultivar reduz-se os custos com mão-de-obra na colheita porque faz-se apenas uma única colheita quando os cachos estiverem completamente secos. Nessa fase, todos os frutos já atingiram a maturidade fisiológica e a semente apresenta  vigor e poder germinativo máximos,  além disso a qualidade do óleo também é superior quando a colheita é feita nessa estágio, diferentemente da colheita das cultivares semi-indeiscentes que se colhe quando 70% dos frutos estão secos e os outros frutos verdes que ainda não atingiram a maturidade fisiológica poderão prejudicar o conteúdo e a qualidade do óleo. Também existe a necessidade de completar a secagem desses frutos em terreiros, que é o mais comum.
 Ressaltamos que um dos entraves que existia antes quando falávamos da cultivar BRS Energia era a dificuldade no descascamento, conforme nos foi relatados por alguns agricultores. Pois bem, isso era verdade, essa cultivar apresenta uma certa resistência quando se faz o descascamento através do chicote. Porém, isso agora é coisa do passado. A nova máquina de descascar de Gilson Dourado apresenta ótima eficiência no descascamento da BRS Energia. Para agricultura familiar, a Embrapa Algodão também desenvolveu uma máquina para descascar mamona movida a força humana atralada a uma bicicleta e de baixo custo. Mais informações é só pesquisar na nossa área de pesquisa ao lado com as palavras "mamona, bicicleta".

sexta-feira, 3 de junho de 2011

As pesquisas

Olá amigos, há dias não faço um comentário sobre o andamento das pesquisas. Pois bem, o motivo é porque estamos na fase de coletas de dados. Como falei em outra postagem é uma fase que demanda tempo porque precisamos fazer as leituras em todas plantas de todas as parcelas de todos os experimentos de pesquisas, isso significa passar planta por planta para medir sua altura, seu diâmetro caulinar, contar a quantidade de cachos, medir o tamanho dos cachos etc. Então, não tem muito o que comentar, só muito trabalho repetitivo. Talvez semana que vem finalizaremos boa parte das variáveis. Eu particularmente estarei fazendo uma seleção na linha de cada material para coletar as sementes que comporão os ensaios de pesquisas da próxima safra. 
A escassez de água ainda prejudica a região e assim será até o final do ano; dificilmente choverá. Mas, aqui já está fazendo aquele friozinho danado onde nordestino ao meio dia procura caminhar no meio da rua para pegar um solzinho qualquer que seja. 
Andando pela região percebemos que os cultivos de mamoneira estão bem sofridos  e clamando por chuvas. A mamoneira tolera bem ao deficit hídrico, porém, quando este é bastante prolongado as plantas começam a perder as folhas e a paralisar seu metabolismo para conseguir resistir a esse período de falta dágua. É a adaptação para sobreviver. Um bom final a todos!!!


quinta-feira, 2 de junho de 2011

"Capação"

Caros leitores, hoje vou abordar o assunto  que sempre sou questionado quando estou palestrando ou falando com agricultores que é a retirada da gema apical da planta, conhecida como "capação". Pois bem, essa prática agrícola era frequente antigamente e ainda hoje muitos produtores utilizam por falta de informação. A "capação" nada mais é do que a retirada do "olho da planta, ou seja, da gema apical". Isso era necessário em virtude das cultivares plantadas crescerem bastante verticalmente, pois a mamoneira apresenta crescimento simpodial cuminando sempre na formação de um cacho. Para evitar esse crescimento, era realizada a retirada da parte apical da planta para que ela parasse de crescer verticalmente e passasse a se desenvolver lateralmente, "esgalhasse". Assim, facilitava os tratos culturais e a colheita.
Com o avanço das pesquisas de melhoramento genético com essa cultura foram desenvolvidas novas cultivares sem essa característica. Portanto, as cultivares Nordestina, Paraguaçu e BRS Energia já dispensam essa prática. Salientamos que quando se retira da gema apical da mamoneira se está retirando o cacho maior e mais produtivo da planta que é responsável por aproximadamente 30% da produção da planta. Então, recomendamos aos agricultores que cultivam as variedades da Embrapa que podem eliminar a prática da "capação".

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Consórcio mamona x milho

Olá amigos, vamos falar nessa postagem um pouco sobre o consórcio de mamona com milho. Temos observado que essa prática agrícola é bem comum entre os agricultores de mamona. O cultivo consorciado compreende o cultivo de duas espécies diferentes em uma mesma área de terra, sendo bastante praticado na agricultura familiar que não dispõe de grandes áreas para o cultivo. Porém, nem todas as espécies se adequa satisfatoriamente a esse sistema simultâneo.
O objetivo do consórcio é obter o máximo rendimento das duas culturas em uma mesma área e em um mesmo período maximizando, portanto, os recursos naturais. Pesquisas desenvolvidas com esse consórcio demonstraram que não existe viabilidade econômica que justifique essa prática agrícola. As pesquisas realizadas evidenciaram que quando se cultiva mamona com milho ocorre diminuição no rendimento de ambas as culturas. Isso ocorre porque o milho é uma espécie bastante competitiva e a mamoneira apresenta crescimento lento nos primeiros 60 dias. Então, não recomendamos o consórcio mamona x milho. Porém, como sabemos que muitos agricultores continuarão com essa prática, sugerimos que faça da seguinte maneira: primeiro semeie a mamona e com 25 dias após a germinação da mamona semeie o milho, ressaltamos que é preciso deixar no mínimo 1 metro de distância da fileira da mamona.
Salientamos que o cultivo consorciado é fundamental para a agricultor familiar que trabalha com a cultura da mamona e que deve ser praticada com culturas alimentares que apresentem vantagens com esse sistema dentro de modalidades de configurações de fileiras já compravadas pela pesquisas. Abaixo fotografias de consórcio inadequado de mamona x milho.