Na Pesquisa Agrícola

Postagens sobre a pesquisa e o cultivo da mamoneira no semiárido.
Obrigado pela visita, boa leitura e volte sempre.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Pesquisa: Observação e Comprovação

Prezados colegas, hoje vamos falar de nossas pesquisas que estão em andamento. Nossos experimentos continuam sofrendo com a falta de chuva. A mamoneira é tolerante ao estresse hídrico, porém, quando este é bastante pronunciado e prolongado o crescimento e desenvolvimento são prejudicados. A mamoneira utiliza diversos mecanismos de tolerância ao déficit hídrico, em especial, desenvolve um sistema radicular profundo e ramificado. Quando as condições edafoclimáticas não são satisfatórias para o bom desenvolvimento das raízes as plantas apresentam baixa resistência à seca e declinam rapidamente.
Nossos experimentos são quase todos com plantas de porte baixo e precoce, portanto, menos tolerantes ao estresse hídrico. Estivemos fazendo uma avaliação em todos os ensaios e notamos claramente o efeito do déficit hídrico no desenvolvimento das plantas. Constatamos ainda a associação do desenvolvimento do sistema radicular com a resistência à seca. Os ensaios onde a germinação ocorreu com o solo com boa umidade, as plantas formaram e desenvolveram um bom sistema radicular e estão tolerando mais à seca. Esses são os ensaios onde a geminação ocorreu na 3ª semana de fevereiro e na 2ª semana de março. Os que germinaram na 3ª semana de fevereiro são os mais prejudicados, isso porque a germinação ocorreu quando existia pouca umidade no solo e as plantas na conseguiram desenvolver seu sistema radicular.
É curioso isso. Eu também acho. Mas esse tipo de observação só se constata quando você está diretamente no campo observando. Antes dessa constatação eu ficava me perguntando como pode isso acontecer. Porque os ensaios em que a germinação ocorreu em março estão melhores do que aqueles que germinaram na 3ª semana de fevereiro? Essa mesma constatação que observei acima, me foi indagado por um agricultor durante a visita técnica de semana passada.
Pois bem meus amigos, pesquisa é assim. Observação e comprovação. Tudo que falei acima é apenas observação, nada comprovado. Agora é elaborar um projeto de pesquisa, submetê-lo a aprovação e realizar os testes para verificar se a hipótese é verdadeira ou não, mas isso deixo a cargo dos colegas que trabalham com irrigação.
Germinação na 3ª semana de fevereiro

Germinação na última semana de fevereiro

Germinação na segunda semana de março

terça-feira, 10 de maio de 2011

Mamona e Biodiesel

Caros amigos, hoje vamos apresentar um vídeo gravado em campo onde os agricultores comentam o cultivo da mamona e suas preocupações com o programa do biodiesel. Percebe-se que o agricultor ainda demonstra preocupação com o programa do biodiesel. Essa desconfiança é resultado de outros programas que não deram certo e que prejudicaram os agricultores no passado. A garantia de preço mínimo para a mamona representa uma segurança para o produtor. O agricultor não deixa de produzir mamona na microrregião de irecê, o que acontece é que quando o preço baixa ocorre uma diminuição da produção.
A desconfiança nos programas governamentais e  no sistema de cooperativas dificulta a organização da cadeia produtiva na base porque muitos ficam ainda meio receosos de aderir ao programa do biodiesel. O Programa Nacional do Biodiesel está amparo em lei, portanto, não tem como retroceder. Para a mamona, espera-se uma garantia  de preço mínimo para que o agricultor possa cultivá-la sabendo qual será a sua remuneração mínima. Por ser um óleo nobre para a riciniquímica dificilmente será utilizado como biodiesel porque sua cotação no mercado internacional é elevado, portanto mais vantajoso vender o óleo para a ricinoquímica a fazer biodiesel. 
É necessário elevar a autoestima do produtor e garantir a compra de seu produto por um preço justo. No sistema produtivo, faz-se necessário a intensificação de ações de difusão de tecnologias, tanto para a divulgação de cultivares mais adaptadas e produtivas como para as práticas de manejo recomendado pela pesquisa. A adoção de novas práticas culturais no cultivo da mamoneira no semiárido implicará em ganhos significativos na produção e um incremento na renda dos agricultores familiares.
É preciso elevar a autoestima do agricultor, garantir o preço mínimo para a sustentabilidade da cadeia da mamona e inseri-lo no programa biodiesel, dando mais dignidade ao homem do campo.
O Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel é fundamentado em três vertentes: Social, Econômico e Ambiental. É um programa estratégico e geopolítico. O social visa a inclusão de trabalhadores familiares no mercado gerando emprego e renda na cadeia produtiva do biodiesel. O ambiental busca fortalecer a matriz energética renovável e contribuir para melhorar as condições ambientais e combater os males da poluição. O econômico objetiva contribuir para a economia de divisas e a redução da dependência do petróleo.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Agricultura Familiar

Olá amigos, como vocês sabem, sexta-feira visitamos uma propriedade tipicamente familiar e vou falar um pouco desse tipo de agricultura.
A agricultura familiar é constituída por pequenos e médios produtores que utilizam a mão-de-obra da  própria família nos trabalhos da propriedade de onde tiram o sustento de sua familia. Então, agricultura familiar é o cultivo da terra por pequenos e médios proprietários rurais que utilizam essencialmente a mão-de-obra familiar na lavroura.
Esse tipo de propriedade é maioria no Brasil; e no Nordeste representa cerca de 50%. É tão importante esse tipo de propriedade, que em determinados produtos básicos chegam a ser responsável por mais de 60% da produção. Boa parte dos alimentos que chegam a nossa mesa provém de agricultores familiares. Em uma propriedade familiar constata-se a diversificação de cultivos e boa parte da produção é para o próprio consumo e o excedente é comercializado no mercado local. A agricultura familiar é de grande importância para os municípios porque gera renda, emprego e produção de alimentos. A abordagem desse tópico é para mostrar através de fotografias como é uma propriedade familiar. Gostaria que vocês observassem a diversificação de espécies alimentícias cultivadas nessa propriedade. É isso... Uma Boa Semana para todos!

 
 
 


 
 
 










sexta-feira, 6 de maio de 2011

Visita Técnica

Olá amigos, hoje foi um dia inteiro dedicado a uma visita técnica com vários presidentes de associações, secretários de agricultura, empresa de extensão rural e outras instituições, a três propriedades que cultivam mamona para discurtirmos e avaliarmos os diferentes manejos com a cultura da mamona. O objetivo de município de São Gabriel é incentivar o cultivo da mamoneira irrigado na agricultura familiar (no máximo 3-4 hectare por agricultor) através de assistência técnica e crédito incentivado. 
Fomos convidados para acompanhar, falar e discurtir sobre o sistema de cultivo da mamoneira. Visitamos três propriedades, cada uma com seu manejo. Como já falei em outra postagem, cada agricultor utiliza um manejo diferente. Dessas propriedades duas foram irrigadas e uma de sequeiro. As cultivares utilizadas no sistema irrigado foram a BRS Nordestina  e um material da EBDA ainda não registrado. No sistema de sequeiro visitamos um campo com a cultivar BRS Nordestina. No decorrer da próxima semana postarei mais detalhes dessa visita técnica  onde todos saem ganhando com a troca de experiências.
Ao final do dia visitamos uma Unidade Demonstrativa onde consta três cultivares diferentes: BRS Paraguaçu, MPB 01 (Material da EBDA) e a BRS Energia em sistema de sequeiro. Essas cultivares foram implantadas com e sem adubação. O que mais chamou atenção de todos foi o cultivo da cultivar BRS Energia. Temos uma postagem falando dessa cultivar, visite nossos arquivos e saiba mais detalhes dessa cultivar.
Vou deixar as fotografias para serem postadas nas postagens da próxima semana quando darei mais detalhes dessa visita técnica. Porém, deixo um vídeo mostrando o cultivo da mamoneira. Um bom final de semana a todos.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Colheita

Bem amigos, como prometi no início da semana, hoje vou falar da colheita da mamoneira. Nossa Unidade Demonstrativa com a BRS Energia chegou na fase de colheita e nesta semana já realizamos essa tarefa. A BRS Energia tem um ciclo de 120-150 dias, porém como não chove aqui desde 14 de março, o ciclo dessa cultivar encerrou-se com 100 dias, entretanto, a colheita só foi realizada essa semana (120 dias depois de plantada).
A colheita deve ser feita quando mais de 70% do racemo estiver com os frutos secos. Esse é uma recomendação para qualquer cultivar. No caso da BRS Energia por ser indeiscente, deve-se esperar que todos os racemos fiquem secos para proceder a colheita. Vale ressaltar que a colheita dos frutos de forma prematura prejudica o conteúdo e a qualidade do óleo.
A colheita pode ser manual ou mecanizada. São poucas as variedades que se pode realizar a colheita mecanizada. Então vamos nos ater a colheita manual. Nas variedades semi-indeiscentes, a colheita deve ser feita frequentemente, a medida que os racemos vão atingindo 70% dos frutos secos, vai realizando a colheita. Nessas variedades o custo com mão-de-obra é elevado e muitas vezes não compensa, com exceção da agricultura familiar onde o agricultor não contabiliza o seu custo e nem de sua família. É indicada para pequenas e médias propriedades que tem disponibilidade de mão-de-obra. A retirada dos racemos deve ser realizada com o auxílio de um instrumento cortante, de preferência tesoura de poda. A medida que se vai colhendo, vai-se colocando os racemos em local apropriado para secagem, que pode ser de cimento ou chão batido, mas esse é outro assunto a ser abordado posteriomente.
A colheita consiste em quebrar/cortar os racemos das plantas. Não tem segredos, é fácil, simples e pode ser realizada por qualquer pessoa. Porém, o agricultor não tem conhecimento das consequências que essa operação pode comprometer a qualidade do óleo na indústria. Apesar de simples e fácil, a qualidade do óleo depende dessa operação. O que se observa é que a colheita é realizada na maioria das vezes fora de época, com os cachos ainda apresentam menos de 70% dos frutos secos. Parece coisa boba, mas a indústria tem um custo razoável para corrigir a qualidade desse produto (óleo), além de apresentar um menor conteúdo de óleo nas sementes, operação que pode ser evitada se colheita for realizada corretamente.
Foto da colheita de nosso experimento.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Cultivar BRS Energia

Olá amigos, hoje e amanhã estou preparando um relatório detalhado de todos os nossos ensaios de pesquisas com a mamoneira. Alguns ensaios estão bons, outros praticamente perdidos. Perdidos pelo motivo que já comentei em outra postagem - déficit hídrico. Quanto mais tardio é a implantação do ensaio, pior é o crescimento e desenvolvimento das plantas.
Para quem ainda não conhece e para aqueles que querem saber mais datalhes da cultivar BRS Energia vou falar um pouco de suas características. A cultivar BRS Energia foi lançada pela Embrapa Algodão no final de 2007. É uma cultivar precoce e de porte baixo com altura média de 1,40m, ciclo entre 120 e 150 dias, caule verde com cera, racemos  cônicos, frutos verdes com cera e indeiscentes. As sementes são de cores marrom e bege e contém 48% de óleo. A produtividade média é de 1.500 kg/ha e deve ser plantada em espaçamentos de 1,0m x 1,0m.
As vantagens dessa variedade é que ela é precoce, com 4-5 meses você já tem finalizado o cultivo. Isso contribui para garantir a produção na região semiárida por conseguir produzir no curto período chuvoso. É também indeiscente, ou seja, seus frutos não "estralam ou abrem" sob sol quente, o que diminui o custo com mão-de-obra porque você pode esperar que toda planta fique no ponto para realizar uma única colheita. É uma cultivar indicada para plantio mais tecnificado. Todas as fases de cultivo dessa cultivar podem ser mecanizados desde o plantio a colheita. 

terça-feira, 3 de maio de 2011

BRS 188 Paraguaçu

A Embrapa Algodão desde que começou a pesquisa com a mamoneira já lançou 3 cultivares. Hoje vou falar da cultivar BRS 188 Paraguaçu e em outro dia falarei da BRS Energia, a mais nova cultivar registrada.
BRS 188 Paraguaçu
A cultivar BRS Paraguaçu apresenta porte médio, com altura média de 1,60m, caule de coloração roxa e coberto de cera, racemo oval, frutos semi-deiscentes e semente grande, de cor preta, pesando aproximadamente 0,71g e contendo 48% de óleo. A floração inicia-se aproximadamente aos 50 dias após a emergência. Deve ser plantada em espaçamento entre linhas variando de 3m (consorciado) a 2,5 (solteiro) e 1m entre plantas. Essa cultivar foi desenvolvida para plantio em região semiárida e para uso na agricultura familiar, com plantio e colheita manual, ciclo longo (até 250 dias se houver disponibilidade de água) e boa tolerância à seca. Tem susceptibilidade moderada ao mofo cinzento. Em condições normais, com fertilidade do solo mediana, altitude superior a 300m, tratos culturais adequados e pelo menos 500mm de chuva pode produzir 1.500 kg/ha de sementes a cada ano.
A pesquisa tem procurado resolver os problemas existentes no cultivo da mamoneira. O melhoramento genético tem dado uma grande contribuição, lançando cultivares adaptadas ao semiárido. Apesar desse esforço observa-se que a produtividade ainda é muito baixa, não por falta de genótipos produtivos mas sim pela não utilização desses materiais adaptados pelo produtor. O que se tem constatado é que na maior região produtora de mamona no Brasil o plantio da mamoneira é realizado com sementes adquiridas no comércio local, grãos sem procedência. Isso tem consequência na produtividade. Observa-se um aumento na incidência de pragas e doenças e redução da produtividade. Materiais adaptados como a BRS Nordestina e BRS Paraguaçu apresentam potencial genético para uma produtividade satisfatória com as condições climáticas do semiárido.